Godello, renascida na Galiza
Curiosidades sobre a uva branca que quase desapareceu e hoje produz alguns dos melhores brancos da Espanha
Godello é a variedade branca que protagonizou uma das histórias mais notáveis de ressurreição no mundo do vinho. Originária das encostas do rio Sil, na Galiza, esta cepa autóctone esteve à beira da extinção após a filoxera, mas ressurgiu nas últimas décadas para se tornar estrela das denominações Valdeorras e Bierzo. Frequentemente comparada à Chardonnay por sua capacidade de refletir fielmente o terroir, a Godello produz brancos elegantes, minerais e com notável potencial de envelhecimento. Confira alguns fatos sobre esta uva.
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O nome “Godello” pode derivar de “godello” ou “godelho”, que na tradição vitivinícola galega fazia referência à uva de pequenas bagas douradas. Também é conhecida como “verdello” (por sua tonalidade amarelo-esverdeada), “gouveio” em Portugal, “agudello”, “ojo de gallo” e “berdello” em diferentes regiões.
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Embora sua origem precisa seja debatida, documentos históricos situam a presença da Godello na comarca de Valdeorras desde pelo menos o século XII, com alguns especialistas acreditando que seu cultivo remonta à época romana. Referências mais antigas incluem menções no Monastério de San Clodio (século IX) e em textos do século XVI.
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Os vinhedos mais antigos conhecidos estão na D.O. Tierra del Vino, em Villamor de los Escuderos (Zamora), com cepas bicentenárias de aproximadamente 1800. Em 1885, o viticultor José Ramón Gayoso plantou Godello em Valdeorras quando outros optavam por variedades estrangeiras após a filoxera – decisão que salvou a variedade da extinção.
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Valdeorras (Galiza) destaca-se como origem da Godello, variedade que se expressa em solos de ardósia, quartzito e xisto. Também aparece em Monterrei, Ribeira Sacra (Galiza), Bierzo (Castilla y León) e, em blends, em Ribeiro e Rías Baixas. Em Portugal, chamada Gouveio, predomina em Trás-os-Montes (60% das vinhas) e está presente no Dão.
Os vinhos caracterizam-se por serem delicados e elegantes, com equilíbrio entre frescor e volume. No nariz, destacam-se aromas sutis de flores brancas, ervas, frutas como maçã, limão, pera e melão, com toques minerais. Apresenta também uma textura levemente oleosa e gordurosa na boca.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de revistaadega.uol.com.br.